Museus de Pedreira expõem “1932: A Revolução Paulista”

Em homenagem aos 86 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, os Museus Histórico e da Porcelana de Pedreira realizam no período de 28 de junho a 31 de julho, sob a curadoria de Adílson Spagiari, a Exposição “1932: A Revolução Paulista”.

Os visitantes terão a oportunidade de conferir diversas fotografias sobre o movimento que tinha a proposta de derrubar o governo provisório imposto por Getúlio Vargas a partir do golpe de 1930 e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil, além de fotos e documentos, em especial dos combatentes pedreirenses Edu Rossi e Arnaldo Rossi, cedidos especialmente pela família para a exposição.

O confronto começou em 9 de julho, motivo especial pelo qual nessa data é feriado estadual em São Paulo e foi até 4 de outubro e atingiu todo o Estado de São Paulo, e Pedreira devido a sua localização na Serra da Mantiqueira foi um dos últimos locais onde os soldados se estabeleceram e montaram suas trincheiras, pois no Morro do Cristo, ainda existem algumas valas que na época da revolução serviram de trincheiras e foram construídas pelos soldados, entre eles, Arnaldo Rossi, Edu Rossi e Guilherme Filipini Júnior que provavelmente estiveram sob o comando do Monsenhor Luiz Fernandes de Abreu que foi oficial de ligação do Batalhão 23 de Maio, visto que no morro há um monumento em homenagem aos combatentes de Pedreira. O médico, Dr. Euclides Nery Jr., como voluntário também auxiliou os feridos durante o combate em Pedreira.

O Diário Oficial de 19 de setembro de 1932 registrou que o tenente Carlos Berenhauser, chefe do serviço de Publicidade da 4ª Divisão de Infantaria, recebeu do Serviço de Publicidade da Imprensa Nacional, o telegrama que se segue, transcrito do Diário Oficial da União, de 19/09/1932 p.39, seção 1.

“Itapira,16 – Urgente – O Estado Maior da 4ª Divisão de Infantaria informa: na frente geral de Campinas o destacamento do coronel Dutra consolidou a conquista da localidade de Pedreira, a doze quilômetros a oeste de Amparo. Nos eixos da via férrea e da rodovia Mogi-Mirim – Campinas, o adversário que, na véspera, se retirara apressadamente para o sul do rio Camanducaia, não mais voltou, mantendo-se também inativo nos demais pontos da frente. Nos outros setores da 4ª Divisão nada houve de notável nas últimas vinte e quatro horas. Um avião inimigo bombardeou, hontem, Pedreira e Amparo, com fracos resultados. Nossos aviões de caça mandados em seu encalço não mais conseguiram encontra-lo.”

Nota-se neste telegrama a confirmação da participação efetiva da cidade de Pedreira na Revolução Constitucionalista.

“Naquela madrugada do dia 19 de setembro seguiu de Amparo para Pedreira o 14º Comando Gaúcho, com destaque para um esquadrão que foi para o bairro de Entre Montes. Quando foi uma hora da tarde do dia seguinte, dois oficiais constitucionalistas se apresentaram ao PC do batalhão cearense no bairro de Ingatuba com o pedido de suspensão das hostilidades proposta pelo general Klinger, comandante chefe da Revolução, ao governo ditatorial. A mensagem foi assinada pelo Capitão Romão Gomes. O Cel. Eurico Gaspar Dutra, futuro Presidente da República deu como resposta que prosseguiria nas hostilidades atendendo a ordem do general Jorge Pinheiro. No dia seguinte Goes Monteiro transmitiu ao Capitão Lott a ordem de reabrir as hostilidades e o batalhão paraibano alcançou Entre Montes.

Pedreira foi bombardeada pelos “vermelhinhos” ditatoriais, que colocou em pânico a população que deixou a cidade em 14 de setembro. Bombas atingiram casas, dentre essas, uma caiu na sala da casa da família Pires de Ávila, momentos depois dos moradores saírem, tendo a bomba estraçalhado todos os móveis da sala”.

Como relatado no trecho acima, por meio de pesquisa realizada pelo Curador da exposição, Pedreira participou com seus soldados e voluntários da resistência paulista à ditadura Vargas.

“Foi um momento de respeito à liberdade, aos direitos e a uma nova Constituição que seria promulgada em 16 de julho de 1934, tendo a sigla MMDC (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo), entrado para o cenário da história paulista, visto que em três meses de batalha foram mortos cerca de 830 homens, sendo 630 paulistas”, finaliza Spagiari.

A exposição poderá ser conferida de Segunda a Domingo, das 9h às 12h e das 13h às 17h na Praça Cel. João Pedro, 102.

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